Revidar ou dar a outra face: dilemas do racismo à brasileira

escrito por Alice Aparecida dos Santos

É desse jeito que me sinto… com a obrigação de ter essa força e de não parar mais. Reinventar meus passos… de encontrar uma maneira lá dentro de não ficar no chão e de não deixar os valores dos meus antepassados sucumbirem no esquecimento… e tudo isso só pra agradar a um ou outro, não incomodar o “como” a branquitude se sente com relação a minha negritude, e o que ela faz pra estar nesse lugar!

Não deixar minhas falas e convicções só pra me adequar a um sistema (um círculo vicioso de exclusões, separações, “isso pode” e “isso não é pra você”) que nos imputa comportamentos e vícios até na hora de corrigir nossa linguagem… que dirá nos nossos pensamentos! Cansei de ouvir nos lugares onde andei, que tudo que podia melhorar e toda sugestão dada não era bem vinda, que “você não é paga pra pensar” (!!!)

Custei a entender que não era minha pró-atividade e nem minha inteligência subestimada a culpada do comportamento do outro… era sobre a falta deles, a não expertise deles, a necessidade de ser sensíveis deles, da cegueira deles… e da falta capacidade de respeitar tudo no outro sem rótulos e sem descriminar a sua cor!

Todo ser humano tem capacidades, direitos, qualidades e defeitos… e se não tropeçar (ou até cair nos obstáculos) como aprender a desviar? Como guardar alguma coisa de útil na sua história!? E não para criar mofo, mas para ensinar, instruir, desenhar caminhos para outros desviarem sem cair!

Qual o propósito de lutas… que deixam pra trás feridas, feridas abertas… mortes… só um mártir, só um redentor… todos os demais serão números e estatísticas cruéis! Contabilidade de corpos ou de almas! A vida, o universo, está dando seus sinais… será que queremos acordar… ou só nos iludir… “não é aqui… é longe… não sou responsável…”.

Enquanto não pensarmos coletivamente não haverá comunidade e o egoísmo e o preconceito sempre existirão… só muda se enxergar que ferir o outro me afeta!

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