Ainda sem título: isso tem nome de quê?

o meu desejo de proponente reflexiva é que cada pessoa se deixe afetar apenas pela imagens antes de ler meus devaneios a seguir. Provoco-lhes, então, a voltar pra leitura do texto quando e se os afetos elaborarem os sentimentos-pensamentos que essa narrativa imagética provocou….

Abaixo, vocês vão encontrar uma foto-descrição e uma provocação em texto curto.

Foto-descrição: a imagem é de uma história em quadrinhos em tons de preto, branco e cinzas. No primeiro quadro, no centro de uma moldura representando olhos, uma garota branca, sem olhos, cabelos longos está com o rosto de perfil em direção ao sol radiante. No segundo quadro, os olhos fecham. No terceiro, ainda sob a perspectiva de quem vê, dentro de um moldura representando olhos, a garota observada passa a ter uma intenção sóbria e vê as horas no seu relógio de pulso. Aparentemente próximo dela, um vulto de mão aberta e escura aponta na direção da garota do relógio.  No quarto quadro, os olhos voltam a piscar. No quinto, os olhos vêem o relógio da garota observada – há pontos de exclamação. No sexto quadro, ainda na perspectiva dos olhos como no primeiro quadro, uma mão negra segura uma arma com rabo de demônio. No sétimo quadro, um texto da narradora “enquanto isso, na vida exterior aos delírios da branquitude…” e outra garota, com o cabelo preso em duas chuquinhas, com expressão de incômodo, medo… No oitavo quadro, essa garota está ao lado da garota do relógio. No nono quadrinho, uma imagem distanciada mostra essas duas garotas brancas em uma montanha piramidal enorme e radiante. Ao lado, há um grupo de pessoas racializadas, representadas por seis indivíduos, que constroem coletivamente a sua montanha e esta, na ocasião, é consideravelmente menor que outra. A pessoa que está no topo da montanha menor, estica a mão em direção a montanha em que estão as garotas brancas. O décimo quadro foca na cena das pessoas racializadas. O décimo primeiro quadro é preenchido com punhos fechados de tons escuros.

Muita coisa cabe em uma imagem. No meu campo de estudo, entendemos que ao entrar em contato com as imagens (sejam elas em versões fotográficas, gráficas, textuais, sonoras, videográficas), elas provocam nossos imaginários. 

Estou considerando _imaginário_ uma mistura de afeto complexo com razão. cada um tem o seu e simultâneamente todes nós somos atravessades por questões comuns, ainda que de modo particular.

Bueno, como podem ver, ainda que eu estude narrativas com imagens, eu não sou desenhista profissional! (uma penca de risos) Então, além de pedir licença para chegar assim às pessoas que realmente se dedicam a essa arte e labor, peço a compreensão de todes pela tosquice do meu traço (mais risos).

Isso é um experimento. Cada vez mais as palavras tem me atravessado com uma complexidade tamanha que me levam há pelo menos dois lugares que, se estou desatenta, posso interpretá-los como antagônicos. Um deles, é que as palavras e intenções carregam uma trama de significados profundos e infinitamente complexos. O que me leva a querer especificar ao máximo o que estou querendo expressar com as próprias palavras. Inda mais, em um momento mundial em que a experiência comunicacional está nos proporcionando usar menos dos nossos sentidos corriqueiros. O gesto, o tom de voz, o cheiro, os silêncios e outras vibrações trazem muito mais do que conseguimos perceber no momento da interpretação dos discursos. O outro lugar, é que tem experiências que não cabem em palavras e isso me faz querer aprender outras formas de narrar e interpretar os mundos. 

Domingo passado estava olhando pra esse desenho, incomodada com o quanto ele pode achatar alguns pontos da discussão que ele toca e, ao mesmo tempo, como pode levar a lugares infinitos. Por isso e por que estamos em processos também experimentais aqui, resolvi propor-lhes um espaço interativo. Como essa narrativa lhes atravessa? O que há nessas montanhas, que é maior às pessoas brancas? O que representa a arma nessa história? Te arrisca a sugerir um título? O mais perspicaz, vai batizar esses quadrinhos! Deixa aí nos comentários!

Me comprometo em postar aqui nos comentários sobre os caminhos que percorri com ele. 

Vamo nessa, com menos tensão e mais atenção. Como nos ensina a artista Agnes (@agnescomgmudo no instagram) “todo mundo erra sempre, todo mundo sempre vai errar. Agora, é importante reconhecer, admitir e corrigir nossos erros…  Erro é perdoável, a covardia não.” 

Com essa, te convido que não se despeça. 

um abraço ganoso

Escrito por Manoela Laitano

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